O Espetáculo e as Organizações: aproximações entre estudos simbólicos organizacionais e a cena teatral

A prática organizacional contemporânea, alimentada por metodologias de formação de líderes como o coaching, o mentoring e as publicações de pop management, tem se deslocado das interações sociais espontâneas ou até mesmo estratégicas e se transformando em verdadeiras manifestações espetaculares e cênico-teatrais. É possível que a realidade atual seja o produto de um processo histórico de solidificação de técnicas que repetem de forma sistemática práticas bem sucedidas de líderes organizacionais, que se tornaram referência pelos eficientes resultados obtidos em sua gestão. Desta forma, alimentados por tais técnicas (difundidas através de cursos informais e pela prática cotidiana da empresa), os atores organizacionais acabam por transformar o ambiente de trabalho em um lugar repleto de artificialidade, que muitas vezes pode acabar no limiar entre a realidade e a representação teatral. Alguns estudos da área do simbolismo organizacional têm se dedicado a analisar a manifestação de tais fenômenos, através de leituras de trabalhos do campo da sociologia, pelo viés da organizacional. Porém, grande parte dos trabalhos encara tal realidade enquanto metáforas organizacionais, mesmo que a mesma ultrapasse o limite metafórico pelo qual é encarado. Indo para além das representações metafóricas das organizações como espetáculo, esta investigação se estruturará em compreender a interseção entre a célula teatral de Luiz Otávio Burnier (2002) e Patrice Pavis (1999) e a prática efetiva da gestão, desvelando os intrincamentos críticos simbólicos das organizações. Para tal, utilizaremo-nos de suas esferas da gestão de grande impacto social, que são as formações em gestão realizadas através das técnicas de coaching e mentoring.